Raças – Conheça os grupos e suas diferenças

Para satisfazer as necessidades de seu cão, de modo que ele viva feliz e possa satisfazer as suas necessidades, é essencial começar se dirigindo ao animal que existe dentro dele. Todos os animais precisam trabalhar para ter comida e água e se comunicam com os outros por forma de energia. O nível seguinte de comunicação é se dirigir ao cão que existe em seu bicho de estimação. Por ser um carnívoro social, o cachorro naturalmente deseja fazer parte de uma matilha. Ele vê o mundo de maneira bastante organizada, com regras definidas e claras às quais obedecer e uma hierarquia bem estabelecida de funções e status. Ele enxerga o mundo primeiro por meio do focinho, depois com os olhos e por último com os ouvidos. Acredite se quiser – apenas abordando e satisfazendo as necessidades de seu bicho de estimação levando em conta que ele é um animal em primeiro lugar e um cão em segundo, é possível aprender a evitar e superar muitos dos problemas que você possa ter com ele.

O nível seguinte na psicologia do cão é a raça. Assim como ele recebe “sinais” de seus lados animal e cão, quanto mais puro ele for, mais sintonizado estará com os sinais emitidos pela raça e mais reagirá a eles.

O DNA da raça de um cão traz parte de seu “manual de instruções”, por assim dizer. A raça do cachorro é formada pelas funções que ele deve ter, por isso, quanto mais puro ele for, mais vaise valer das características da raça para poder extravasar a energia e a frustração em excesso.

O American Kennel Club dividiu as raças em categorias gerais, com base geralmente nas tarefas originais para as quais os cães eram usados.

A gente conta aqui as características de cada grupo e quais as suas necessidades:

Grupo dos Esportistas
Grupo dos Hounds
Grupo dos Trabalhadores
Grupo dos Pastores
Grupo dos Terriers
Grupo dos Toys
Grupo dos Não-esportistas


O Grupo dos Esportistas

Os cães que chamamos de “esportistas” são descendentes daqueles criados para trabalhar com caçadores humanos, para localizar, levantar* ou buscar caças, principalmente pássaros. Pointers e Setters são os cães que localizam e apontam a caça; spaniels são os que a levantam; e retrievers são os que vão buscá-la depois que o caçador atira. Lembre-se: dizemos “esportistas” porque eles não matam. Com o tempo, os seres humanos adaptaram esses instintos e comportamentos predatórios, herdados dos lobos, e fizeram com que esses cães parassem de matar. Isso se tornou um esporte para o animal – o único predador completo nesse processo é o ser humano.

Não concordo com os diversos guias de raças que afirmam que todos os cães de determinada raça têm um nível de energia predeterminado. Da mesma maneira que pode haver crianças de alta e de baixa energia na mesma família, pode haver uma grande diferença entre os níveis de energia em cada raça e mesmo em cada ninhada. Só porque o cão vem de uma linhagem superior, não quer dizer que vai necessariamente se tornar um modelo das características ideais da raça. Se você cruzar dois setters campeôes, pode obter uma ninhada com dois filhotes de alta energia e potencial para ser campeões; um filhote de energia média, que fica cansado ou entediado após uma hora de caça; e um cão tranquilo e pacífico, que só quer ficar deitado perto da lareira. Acredito que, assim como nos seres humanos, o nível de energia é algo com que se nasce.

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O Grupo dos Hounds

Acredita-se que os hounds formem o grupo mais antigo de cães criados para colaborar com os seres humanos. Esqueletos de cachorros parecidos com basenjis foram encontrados em antigas escavações ao lado de humanos primitivos, e paredes de tumbas do Egito antigo estão cobertas por desenhos de cães que lembram galgos ingleses e cães do faraó. Os hounds são caçadores e perseguem suas presas – geralmente mamíferos, e não aves, como no caso dos cães esportistas – usando a visão, o olfato ou uma combinação dos dois. Entretanto, diferentemente do grupo dos esportistas, esses cães geralmente não esperavam pelos seres humanos, mais lentos, para sair à caça – corriam na frente dos caçadores.

O focinho sabe

A família dos hounds farejadores inclui o basset hound, o beagle, o coonhound, o bloodhound, o dachshound, o foxhound americano e o inglês, o harrier e o otterhound. Como já dissemos, o olfato é o sentido mais importante para todos os cães, mas o focinho é tudo para os animais desse grupo – e os seres humanos que começaram a criá-los aproveitaram sua biologia ao máximo. Acredita-se que a ruga da face de cães como o bloodhound ajudam a manter perto do focinho o cheiro do qual estão tentando se aproximar, e as orelhas longas e caídas impedem que sejam distraídos por barulho quando estão na caça. Alguns deles – como o Dachshund e o Beagle – tem pernas mais curtas, para mantê-los mais próximos do chão.

Geralmente, preferem caçar em grupos – e, se você tiver a chance de observar uma matilha de hounds procurar alguma coisa, testemunhará a força miraculosa da matilha em ação. Todos os cães ficam obstinados em sua busca pela presa, e a cooperação e coordenação existente dentro da matilha é o segredo. É esse tipo de cooperação e coordenação que tem ajudado que tem ajudado a familia dos canídeos a se adaptar e sobreviver ao longo dos séculos. Se seu cão é um hound de raça pura, então, de uma forma ou de outra, é melhor satisfazer a necessidade queele tem de usar seu poderodo focinho para um propósito.

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O Grupo dos Trabalhadores

Conforme os seres humanos foram evoluindo de caçadores primitivos e começaram a criar animais domesticados e a formar vilarejos, começaram a procurar cães para ajudá-los de outras maneiras, além de caçar e farejar. Assim, o grupo dos cães trabalhadores foi criado para guardar, puxar e resgatar – algumas raças para apenas um desses propósitos; outras, para dois ou três. Os seres humanos que criaram essas raças as selecionaram pelo tamanho e pelo formato do corpo, pela força, pela perserverança e as vezes pela agressividade, no caso dos cães de guarda.

Trouxemos esses cães para casa, para caçar presas grandes, lutar com outros cães ou atacar pessos e animais, há centenas de anos. E, ainda hoje, algumas das raças mais populares continuam tendo essas habilidades. O Akita, o Malamute Do Alaska, o Dogue Alemão e o Kuvasz foram criados para caçar presas grandes e para ser cães de guarda. O Mastim Inglês e o Mastim Napolitano tem raízes antigas, como cães de guerra e lutadores , que combatiam homens, leões, tigres e até elefantes nas arenas romanas de gladiadores. Nos genes do Terrie Preto da Rússia, do Dobermann e do Rottweiler, estão a guarda e a segurança – inclusive para uso militar. Sabe-se que esses cães são comumente utilizados para proteção pessoal, mas o Rottweiler também era conhecido como “cão açogueiro”, graças a capacidade de pastoriar e proteger o gado.

Ele se tornou tão indispensável para os açogueiros que estes penduravam o lucro do dia em uma bolsa ao redor do pescoço do cão quando iam ao bar, sabendo que o dinheiro estaria perfeitamente protegido. Quando mais pura for a raça, mais asqualidades relacionadas a ela vão aparecer se você, como lider da matilha, não satisfazer o animal e o cão completamente. E, por causa do tamanho destes cães, onviamente podem causar muito mais estrago do que um beagle ou um galgo inglês quando a energia acumulada dentro deles irrompe.

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O Grupo dos Pastores

O instinto de controlar o movimento de outros animais vem do impulso predador, que tem origem na natureza lobal dos cães domésticos. Se você observar uma matilha de cães caçadores em ação, verá como eles coordenam suas posições para eliminar os membros mais fracos do rebanho que estiverem tentando atacar, e como conduzem sem muito esforço os animais que estão perseguindo, para encurralá-los, preparando-se para o ataque. Ao longo dos séculos, a humanidade tem usado essa habilidade inata para criar cães que completam todas as ações, menos a última. Esses cães, membros do grupo dos pastores, não matam os animais que encurralam – simplesmente os mantém unidos para beneficiar o ser humano, seguindo o próprio discernimento e os comandos do dono. Alguns mordiscam os calcanhares do gado para mantê-los em ordem, outros latem, outros rosnam e encaram, e outros simplesmente usam seus movimentos e sua energia. Entre os pastores mais conhecidos, estão o pastor alemão (considerado por algumas pessoas como um cão pastor e trabalhador), o Pastor de Shetland, o Corgi Galês, o Old English Sheepdog ou bobtail, o Pastor Australiano, o blue heeler, o Collie de pêlo longo e o Border Collie, o Australian Cattle Dog e o Bouvier de Flandres.

É preciso muito vigor físico para pastorear e guardar rebanhos, por isso os cães pastores costumam ter alto nível de energia. Se você tem um cão pastor de alta energia, caminhar, andar de patins ou de bicicleta com ele, de trinta minutos a uma hora, pelo menos uma vez ao dia, é absolutamente necessário para gastar energia e obter equilíbrio. Cães desse tipo não devem ser deixados no quintal sem nada para fazer. Lembre-se de que pastorear é um trabalho, por isso trabalhar é algo muito presente nos genes de cães pastores. O animal fica mais feliz e realizado quando usa a energia para um propósito. Dar um desafio a ele é a melhor coisa que você pode fazer para impedir ou ajudar a resolver problemas causados pelo tédio ou pela energia reprimida.

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O Grupo dos Terriers

A palavra “terrier” vem do latim terra – uma ótima definição das primeiras funções realizadas pelos cães desse grupo. Os terriers eram ótimos para caçar e matar roedores, animais considerados pragas e pequenos mamíferos, chegando a cavar profundamente a terra para encontrá-los. Mais tarde, os terriers mais fortes, como o American Staffordshire Terrier passaram a ser criados para lutar entre si em competições publicas. Pelo tamanho conveniente e talvez também pela grande beleza, os terriers são cães populares.

Apesar do tamanho menor, é importante lembrar que os terriers têm a caça e o trabalho no sangue, por isso costumam ser cães de alta energia – alguns, como muitos Jack Russels, podem ter energia extremamente alta. Se você tiver a chance de criar um terrier desde filhote, socializá-lo e familiarizá-lo com outros cães e com outros animais pequenos é um dever. Em cães mais velhos ou que foram resgatados de abrigos, geralmente o hábito de agredir outros animais já está instaurado, por isso, além de suas habilidades de liderança calma e assertiva, pode ser que você precise de um profissional para ajudá-lo a colocar fim a esse hábito. Não cometa o erro que muitos de meus clientes cometem, dizendo: “Bem, ele não gosta de outros cães, faz parte da personalidade dele”. Os cachorros nascem para se dar bem com seus semelhantes.

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O Grupo dos Toys

Em um local de escavações perto de Bonn, na Alemanha, arqueólogos descobriram o esqueleto de um homem e de um cão, enterrados juntos. O local data de mais ou menos quatorze mil anos atrás. E, no Alabama, os seres humanos de cerca de oito mil anos atrás enterravam os cães de modo que era, segundo o arqueólogo Carl E. Miller, “muito mais cuidadoso que enterravam os homens”. No mundo todo ao longo da história da humanidade, os cães tem desempenhado não apenas um papel de trabalho, mas também um papel emocional em nossa vida.

Os cães do grupo dos Toys são a evidência mais flagrante da profunda ligação entre seres humanos e cachorros. Enquanto algumas raças de toys tinham como propósito caçar pequenos animais considerados pragas ou espantar pássaros de vegetações, muitas delas foram criadas ao longo dos séculos apenas para satisfazer as necessidades emocionais dos seres humanos – como companhia ou “enfeite”. Não executavam tarefas importantes me, auxiliavam na sobrevivência dos seres humanos. Nós simplesmente os amávamos . Muitas dessas raças são versõesem miniaturas de seus parentes, mas outras têm uma origem tão antiga que já foi esquecida.

Os cães do tipo toys têm diversos passados genéticos, por isso não podemos fazer generalizações a respeito de seu comportamento. Alguns deles caçavam aves ou ratos, como o Cavalier King Charles Spaniel e o English Toy Spaniel, o Toy Manchester Terrier, o Toy Fox Terrier, o Yorkshire Terrier e o Silky Terrier, o Papillon, o Maltês, o Lulu-da-Pomerânia (ou Spitz Alemão Anão), o Poodle Toy e o Pinscher Miniatura. Esses cães foram selecionados pelo alto nível de energia, e isso se mostra pelos seus descendentes. Cães “de colo”, como o Chihuahua, o Pequinês, o Pug e o Shih tzu, foram criados pela aparência, pelo tamanho, e, claro, por serem bonitinhos.

Infelizmente, a fofura é onde começa o problema com a maioria das raças pequenas. Os seres humanos adoram coisas fofinhas – os antropólogos dizem que é uma característica inscrita em nosso ser para que cuidemos de nossos bebês. Como os cães das raças toys são adoráveis, costumamos permitir que façam coisas que não permitiríamos que raças maiores fizessem. Por exemplo, a maioria das pessoas não permite que cães grandes latam por muito tempo. Os latidos são altos e irritantes demais para nós. Além disso, quando um cão maior late, costumamos levar o latido muito a sério. No entanto , quando um cão pequeno late para nos alertar de alguma coisa, ou simplesmente para chamar nossa atenção, costumamos deixá-lo latindo até quando ele quiser. No começo, achamos engraçadinho: “Ah, ele está me dizendo que quer seu osso”, e o entregamos a ele, ou “Ah, ele está me dizendo que quer brincar”. Depois de um tempo, o comportamento se torna irritante, mas nos convencemos de que se trata apenas da personalidade do cão ou da raça e não fazemos nada a respeito. E um comportamento ainda pior é o de morder. Nunca permitiríamos que um rottweiler usasse os dentes para nos manipular ou controlar, mas, quando cães pequenos mordem, é exatamente isso que estão tentando fazer. Quanto mais permitimos esse tipo de comportamento, mais ensinamos aos cães toys que é assim que vão conseguir o que desejam. No fim das contas, esses cães se tornam tão instáveis que o comportamento pode evoluir para ataques a outros animais ou a pessoas.

O segredo é lembrar que, por trás da cara fofinha e dos pêlos macios, seu toy é um animal e um cão em primeiro lugar. Tendo isso sempre em mente e aplicando a fórmula de exercícios, disciplina e carinho, satisfazer as necessidades de cães menores não é muito diferente de satisfazer a necessidade de cães grandes. Os cães do tipo toy também precisam de caminhadas vigorosas, mas, como utilizam mais energia para caminhar uma distancia menor, não se faz necessária uma caminhada extensa. As brincadeiras devem ser feitas de modo controlado, com começo, meio e fim bem definidos.

A dica é não deixar que os cães pequenos estoquem muita energia. Quando passam a mastigar, latir e morder compulsivamente ou se tornam anti-sociais, é porque descobriram que estas atividades negativas são maneiras de gastar energia. Não importa quão pequeno for o seu cão, ele precisa substituir o comportamento destrutivo por desafios físicos e psicológicos, que podem ser desde brincar de pegar com uma bola de tênis até fazer exercícios de agility e flyball, no caso de cães com energia mais alta. E todos os cães pequenos podem se beneficiar dos exercícios de obediência com recompensas no final.

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O Grupo dos Não-esportistas

Esse último grupo contém basicamente as raças restantes, que não se encaixam exatamente em nenhuma das outras categorias. Muitas dessas raças têm os cães mais interessantes e populares e incluem cães trabalhadores, pastores, terriers e miniaturas. As dez raças mais populares desse grupo, no ano de 2006, de acordo com o American Kennel Club, eram (em ordem decrescente de popularidade): Poodle, Buldogue Inglês, Boston Terrier, Bichon Frisé, Buldogue Francês. Lhasa Apso, Shar Pei, Chow Chow, Shiba Inu e Dálmata. Dependendo da raça, qualquer uma das atividades e dos exercícios já citados podem ser usados por você e seu cão não-esportista, além da caminhada.

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Fonte: Cães educados, donos felizes (Cesar Millan)

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